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Cidades Náufragos no Pará

Polícia começa ouvir náufragos do B/M Bom Jesus resgatados pela Marinha em ilha deserta no Pará

A polícia busca uma série de respostas sobre o itinerário e a finalidade da viagem do barco que de acordo com os tripulantes pegou fogo e naufragou.

26/04/2022 às 14h55
Por: RB1Notícias Fonte: G1 Santarém
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Bilhete escrito por tripulantes de barco que naufragou no Pará — Foto: Divulgação/Marinha
Bilhete escrito por tripulantes de barco que naufragou no Pará — Foto: Divulgação/Marinha

O g1 apurou que Leilane Carla Ferreira Guimarães, a cozinheira do B/M Bom Jesus, foi a primeira a ser ouvida pela Polícia Civil de Santarém, oeste do Pará, no inquérito que apura as circunstâncias da viagem que quase terminou em tragédia na região do Arquipélago do Marajó em março deste ano. Apenas dois tripulantes foram ouvidos ainda, e para esta terça (26) não há depoimento marcado.

A embarcação Bom Jesus saiu de Santarém, no oeste do Pará, no dia 24 de março, segundo informações prestadas por familiares dos tripulantes à polícia civil, para levar uma carga ao município de Chaves, no Marajó, e o último contato dos tripulantes com familiares foi feito no dia 26 de março.

Eles foram dados como desaparecidos no dia 11 de abril e só foram encontrados no dia 13, na Ilha das Flechas, no Marajó, após um bilhete lançado ao mar dentro de garrafa pet amarrada a um boia ser encontrado por um pescador que comunicou a Marinha. Uma aeronave foi até o local indicado e resgatou os tripulantes, que informaram que a embarcação naufragou após pegar fogo no dia 28 de março.

Investigações da Polícia Civil buscam respostas para questões que precisam ser esclarecidas, como:

  • Por que não foi realizado o despacho da viagem não realizado na base de inspeção naval em Santarém? (procedimento obrigatório junto à autoridade marítima);
  • Por que estavam navegando em área não permitida para embarcações do porte do B/M Bom Jesus;
  • Se a embarcação transportava carga como foi informado por familiares de tripulantes à polícia, e o que era?

Diligências e mais prazo

De acordo com o superintendente regional da Polícia Civil do Baixo Amazonas, delegado Jamil Casseb, a polícia deverá fazer várias diligências e pedir prorrogação do prazo para conclusão do inquérito.

“No primeiro momento é muito nervosismo, muitas contradições, principalmente em saber se estavam vivos ou não. Então a partir do momento que eles são encontrados e que são localizados vamos ouvir agora com calma, vamos ter condições de formular melhor essas questões e buscar a verdade real dos fatos, e é nisso que estamos trabalhando agora, e é isso que vamos apresentar ao poder judiciário”, disse o delegado.

Ainda segundo Jamil, ainda não é possível precisar se tinha carga na embarcação e nem dar detalhes sobre o caso, para não atrapalhar as investigações. O delegado esclarece, no entanto, que se ficar comprovado que houve infrações administrativas serão encaminhadas à Marinha do Brasil e se no transcorrer das investigações for comprovado que houve algo ilícito será apresentado à Justiça com o inquérito policial finalizado.

“Então a gente tem uma série de diligências ainda a serem tomadas durante o transcorrer das investigações e outras oitivas tanto da tripulação quanto de pessoas que tiveram conhecimento da situação o fato, como todo motivo da viagem, as contratações que foram feitas, o material que estava sendo transportado eventualmente, o real motivo da viagem. Tudo isso será investigado e outras oitivas que serão tomadas através de cartas precatórias de onde a embarcação foi localizada, na área do Marajó que é uma área de difícil acesso”, completou Jamil.

A Polícia já sabe que a embarcação foi comprada pelo valor de R$ 112 mil poucos antes de partir de Santarém com os seis tripulantes. Sabe também o nome do comprador e que incumbiu um dos tripulantes a contratar os demais para a viagem, que segundo os primeiros relatos de Cristiano e Jefferson, logo após o resgate realizado pela Marinha, tinha a finalidade de conhecer uma rota que o novo proprietário da embarcação pretendia explorar comercialmente.

Além da cozinheira Leilane Karla, estavam na embarcação:Antônio Oliveira dos Santos - maquinista mecânico, Cristiano de Azevedo Figueira - comandante da embarcação, Joelson da Silva Costa - responsável por carga, Valdeney Dolzanes Reis - Policial Militar da reserva e Jefferson Santos (Negão) – maquinista.

Como já tinha sido adiantado pelo delegado Silvio Birro, chefe do Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), os tripulantes estão sendo ouvidos individualmente e em dias diferentes.

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