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Mineradora causa destruição em igarapé de Juruti Velho

Empresa de mineração comete crime ambiental em comunidade na região de Juruti Velho

07/01/2021 19h01 Atualizada há 1 semana
Por: RB1Notícias Fonte: Tapajós de Fato
Reprodução
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Há na Amazônia grande quantidade de desastres em consequência de crimes ambientais causados por todo tipo de empresa que está interessada em explorar as riquezas da região. Porém, a maioria dessas empresas não cumprem seus deveres ambientais, e mesmo se cumprissem, o desmatamento e as áreas devastadas, sejam para construção de usina ou para extração de minérios, são ações do homem com consequências irreversíveis para o meio ambiente e causam danos que vão além do que qualquer dinheiro pode pagar.

No dia 26 de dezembro de 2020, em Jauari, comunidade da região de Juruti Velho que fica a 55km do município de Juruti, aconteceu devido a chuva intensa um deslizamento que causou a destruição do igarapé que abastece as comunidades da região. Porém essa “simples” erosão que se passou por acidente, foi na verdade um crime ambiental causado pela mineradora Alcoa que utiliza da área para a extração de bauxita.

Por causa da extração do mineral, grandes áreas são desmatadas para que a lavra seja feita, e todos os pedaços de galhas e entulhos são postos em valas. E então são deixadas barreiras de contensão feita de argila e terra para que em casos de chuva este entulho não seja jogado nas áreas de igarapés e floresta, sendo assim designada uma distância de segurança de no mínimo 300 metros das margens dos platôs. Porém, nesse caso a distância deixada pelos mineradores foi inferior a 10 metros, sendo que há alguns meses atrás representantes da Associação das comunidades da região de Juruti Velho (ACORJUVE) prevendo que algo pior poderia acontecer, pediram uma distância mínima de 500 metros das margens do platô, uma reivindicação que não foi respeitada.

No dia seguinte, quando comunitários seguiam até o igarapé para fazer sua pesca rotineira, encontraram para a sua surpresa lama e entulhos na floresta e na água. Foram então até as autoridades e contataram os responsáveis pela área para falar do acontecido e exigiram um posicionamento deles. Entraram em contato também com o Ministério Público do Pará (MPPA) e fizeram uma denúncia contra a mineradora por crimes ambientais.

Somente no dia 28, representantes da Alcoa estiveram na comunidade para fazer levantamento das necessidades mais urgentes da comunidade Jauari, e também foram até a área do acidente para as primeiras visualizações do Igarapé Jauari. Foi então marcada uma reunião para o dia 30 de dezembro com os moradores da comunidade, representantes da mineradora, representantes da ACORJUVE e autoridades da região.

Após essa visita, a única informação dada pela Alcoa sobre o acontecido foi uma nota lançada em seu site que foi transmitida nos canais de mídia: "Informamos a ocorrência de um evento na frente da Mina 25 (Platô Guaraná), neste sábado (26). As fortes chuvas dos últimos dias causaram a erosão de uma leira da borda do platô que carregou a água da chuva e parte do material vegetal (solo galhadas) para a região próxima à borda do platô. Ninguém se machucou e a Alcoa segue em contato com o poder público e as comunidades para entender os impactos. A Alcoa reitera que estão em andamento todos os procedimentos de segurança de recuperação imediata da leira de proteção, bem como avaliação em campo para verificar se a água da chuva e o material vegetal possam ter atingido algum igarapé próximo".

No dia 30, a reunião começou com a palavra sendo dada aos moradores da comunidade e aos representantes da ACORJUVE que contaram sobre o deslizamento e falaram de suas perdas. Logo em seguida fizeram suas reivindicações aos representantes da Alcoa: “indenização individual por família, conforme decidido pela comunidade; água potável mineral para consumos de todos os moradores da comunidade Jauari; alimentação, por meio de cestas básicas; vistoria técnica na área do desastre visando à reparação dos danos ao meio ambiente (flora, fauna, extrativismo, pescado e território), e outras danos e para indenização coletiva socioambiental; paralisação das atividades na frente 25; reforço da contenção (leiras) nas margens dos platôs; reserva mínima de 500 metros das margens dos platôs, como já solicitado pela ACORJUVE; limpeza da degradação, com apresentação pela ALCOA do plano e custo.

Fotos da reunião

Após as reivindicações apresentadas pelos comunitários, a Alcoa se dispôs a fazer doações de galões de água e cestas básicas, e pediram um prazo de 15 dias para que conversassem e dessem sua decisão sobre a indenização e demais exigências da população.

Enquanto essa decisão é pensada, dezenas de famílias afetadas ficam preocupadas com o que ainda pode acontecer, pois ainda nem começou a época de chuva na região, assim como um morador da comunidade que confidencialmente passou informações ao portal de notícias Tapajós de Fato, e contou um pouco sobre suas preocupações “da beira dessa barreira até a mata não dá 10 metros, porque depois dessa vegetação que aparece na imagem já é um ladeira que dá direto na comunidade, então qualquer deslizamento coloca todos o moradores em risco” e continuou dizendo “porque no final do igarapé lá em baixo, todos nós moramos. E nos cartazes espalhados por aí da Alcoa, diz que eles trabalham com segurança, saúde e meio ambiente, mas observando essas imagens vemos que não tem meio ambiente, e nem saúde porque com toda essa situação em que ficou o igarapé, se alguém beber dessa água suja com certeza estará sujeito a todo tipo de doenças e isso não é saúde pra ninguém”.

 

Aos moradores da comunidade Jauari, só resta lamentar o acontecido e tentar de alguma forma se reestruturar. Porém uma coisa é certa, o que eles perderam nunca será reavido, um igarapé que era a alma de várias comunidades, e que foi destruído para que grandes empresários mantenham suas riquezas a custas de populações que têm o total direito de viverem suas vidas e sua cultura, e passaram isso de geração em geração.

Até quando o lucro vai falar mais alto que o bem viver social?

* Colaboração de imagens: Alciberto, morador de juruti velho

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