Cidades Belém

Aluna denuncia ter sofrido assédio de professor em escola católica de Belém

Caso aconteceu em janeiro de 2020 no Colégio Santa Catarina. Professor envolvido se aposentou no final do ano passado.

07/01/2021 00h04
Por: RB1Notícias Fonte: G1 Pará
Caso ocorreu em tradicional colégio católico de Belém — Foto: Divulgação
Caso ocorreu em tradicional colégio católico de Belém — Foto: Divulgação

Uma aluna do segundo ano do ensino médio do Colégio Santa Catarina, tradicional escola católica de Belém, tornou público nesta terça-feira (5) o assédio que teria sofrido dentro da sala de aula por um professor de Física. O caso foi divulgado em redes sociais e gerou grande repercussão, com mais de mil compartilhamentos.

Após o caso, o professor disse à reportagem que deixou o cargo na escola porque entrou com pedido de aposentadoria. No entanto, o colégio desmentiu a informação, dizendo que, na verdade, o professor foi demitido.

O fato ocorreu em janeiro de 2020 e foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DATA) em março do mesmo ano. Acusado, o professor Pascoal Paracampos disse em nota que "em nenhum momento assediou a aluna, mas é acusado de ter provocado um constrangimento dentro da sala de aula". Em nota, o Colégio Santa Catarina de Sena informou que não admite quaisquer prática que maculem a boa conduta humana.

De acordo com a mãe da vítima, que não quis se identificar, o caso ocorreu no ambiente escolar, no dia do aniversário da filha. Na ocasião, durante os parabéns em sala de aula, na frente da classe, o professor teria feito uma brincadeira verbal de cunho sexual, que deixou a vítima constrangida. Após o assédio, a vítima relatou que saiu da sala de aula e foi ao banheiro chorar.

Segundo a vítima, o professor só a procurou para pedir desculpas depois que ela foi na direção da escola denunciar o ocorrido.

"Ele só me procurou para pedir desculpa depois que fui na direção. 'Eu soube que você ficou mal, me desculpe da brincadeira'. Veio me pegando no ombro e me tocando. Eu me senti enjoada com isso e saí correndo", contou.

A adolescente conta que o caso não foi isolado. "Ele sempre fez esse tipo de brincadeira, desde o início. Todos no colégio conhecem ele por conta disso. Todos sabem que ele tem essas atitudes desde sempre. Eu sentava nas carteiras na frente e ele procurava o contato físico, tocando a mão dele na minha. Várias colegas minhas passaram por situações similares. Ele chamava só meninas para ir ao quadro, as que tinha corpo 'bonitinho'", disse.

Após o caso, a vítima conta que não conseguia mais manter o foco na sala de aula e nem ir para a escola, por medo de encontrar o professor na sala de aulas ou mesmo corredores da instituição. Com a suspensão das aulas presenciais em março por conta da pandemia, um professor particular de física foi contratado pela família já que a vítima não conseguia assistir as aulas com o professor que a teria assediado.

A adolescente denunciou o ocorrido aos pais, que procuraram um advogado para representar o caso. Em uma reunião com o advogado da família, a vice-diretora do colégio teria dito que "não poderia tirar o professor porque ele já tinha muitos anos na escola". A mãe da vítima conta que, além disso, a escola não teria oferecido nenhum tipo de assistência psicoemocional para a adolescente.

Aluna denuncia assédio sofrido por professor dentro de sala de aula em Belém e diz que colégio não a deu suporte psicológico — Foto: Reprodução/TwitterAluna denuncia assédio sofrido por professor dentro de sala de aula em Belém e diz que colégio não a deu suporte psicológico — Foto: Reprodução/Twitter

A adolescente, que estuda na instituição de ensino desde o 6º ano, decidiu permanecer no colégio, apesar da falta de suporte da instituição. "Por causa de um professor iria pagar toda uma instituição. Ela gosta muito da escola. Tem um ciclo de amizade, gosta da capacitação dos demais professores. Mas o que eu não gostei foi dessa postura, sem apoio emocional", disse a mãe da vítima.

Com o andamento das investigações contra o professor, a adolescente reforça a mensagem de que é sempre necessário denunciar casos do tipo para que eles não se perpetuem.

"Para as meninas não se calarem, apesar de todo o constrangimento, mesmo não tendo o apoio na escola. Têm que procurar os pais, os órgãos competentes. Isso não pode ser aceito. Esses tipos de professores sentem-se libertos por não ter alguém que os impeçam. Então, as escolas precisam reforçar em políticas de combate a estes comportamentos abusivos dentro das escolas públicas e privadas", disse a adolescente.

O outro lado

Procurado o professor Pascoal Paracampos se manifestou sobre o caso. Em nota, ele diz que atua há quase 30 anos nos principais colégios de Belém e que foi surpreendido pelas acusações que ele considera mentirosas. "De que fui demitido de todas as escolas, onde na verdade fui eu que negociei a minha saída de todas devido a motivo de aposentadoria; de que fui processado, quando na verdade estou prestando esclarecimento à DATA; acusação de pedofilia, sendo a verdade dos fatos é que a aluna me acusa de uma situação de constrangimento em sala de aula", (sic) diz.

Paracampos diz ainda que não há áudios, vídeos, imagens, conversas ou fotos que provem as acusações. "Medidas judiciais serão tomadas em relação aos responsáveis por essas acusações e aos comentários nas redes sociais".

No entanto, o Colégio Santa Catarina informou que, ao contrário do que foi dito pelo professor, o profissional foi demitido depois da denúncia. Também por meio de nota, o Santa Catarina informou que após tomar conhecimento do fato, acolheu e comunicou o episódio aos pais da estudante, assim como constituiu um advogado para acompanhar o caso e orientar a direção da escola sobre que medidas cabíveis deveriam ser tomadas. De acordo com o Santa Catarina, o pai e a mãe da estudante foram chamados ao Colégio e assinaram um documento, já que a aluna é menor, autorizando que a Direção denunciasse o caso ao Ministério Público Estadual do Pará.

Denúncia

De acordo com a mãe da aula, a filha contou o corrido para a famílias só em março, "por não aguentar mais segurar sozinha o sofrimento". Os pais procuraram um advogado que orientou a família buscar o Conselho Tutelar, onde registraram o fato no dia 18 de março. Ainda no mesmo dia, foi registrado o boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DATA), que investiga o caso.

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